Saturday, December 03, 2005
Dezembro pra que te lembro
Como posso começar? Começar algo sempre é difícil. Eu estou de casa nova, residindo no Largo 2 de Julho. O bairro é bastante interessante, não estava acostumado a observar os transeuntes pela janela, dá até pra criar um puta roteiro em cima das cenas que vejo aqui do meu quarto andar. A Escola de Teatro está simplesmente chata esse semestre, chegou um vírus que vem contaminando a tudo e a todos, uma apatia pernóstica, um vazio de inerência, de originalidade humana. E pra piorar é dezembro, é dia de luzes noturnas, de presentes previsíveis e frases prontas. Não suporto mais as meias amizades, as frases prontas, as fotos pernósticas, os orkuts enlatados de rostinhos ingênuos e seus tecladores covardes. Não, isso não é ativismo político contra a comunicação virtual, é apenas uma tentativa de não torná-la paralisadora de corpos, de mentes e de vozes orgânicas. Estou a beira dos vinte e seis anos, estou a beira de mim mesmo e a procura do trabalho que me faça sair da teoria, da sacana teoria, do falatório disparado, das tentativas libidinosas de ter o que eu quero, e amanhã eu acordo mais uma vez agastado, e o falatório dos transeuntes, das buzinas e do elevador me acordam, pra encontrar um novo motivo pra existir. Eu ainda preciso aprender a viver, sem a piegas do dia a dia!
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