Monday, January 16, 2006
Quando um corpo vira um burusso
Era manhã. Acordei e procurei sentir, sem esforço, o corpo cansado. Bebi muito, dancei e voltei para o mesmo ponto de partida. Existem tantas formas de expandir-nos pela cama, dentre os travesseiros. Amor, fazer amor, buscar o amor, refreá-lo e permutá-lo, não necessariamente com sexo. Não havia ali uma clara razão que deixasse eu e o meu corpo presos numa só cadeia. Repousei de bruços, meio que enterrado ao colchão, deixando o vento da rua chegar, sereno. O sono ficou acordado, e os olhos, fixos para o mosaico que se projetava a partir da estrutura rústica da luminária, sob o teto. O sol queimou a retina, e levantei-me disposto a fazer alguns pagamentos... cai. Olhei pra cima, senti de leve a frieza epidérmica do morto do caixão. Eu ainda estava vivo, mas com a ligeira sensação do defunto vagabundo. Não havia mais nada, nenhuma motivação que me desprendesse da cama. Arrumado, embalsamado com um perfume Kaiak, calça jeans desfiada- amaciada e camisa de botão preta, recém tirada da mala, não resisti. Queria simplesmente sentir a saudade da vida do dia anterior.
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