Rio Vermelho, dia feliz. Um dos meus contos foi premiado. Comprei pela manhã uma camisa com a estampa dos Três Patetas. Larry à esquerda, Curly no meio e Mou à direita. As três cabeças, juntas, com umas caretas desse tamanho. A vendedora do Center Lapa me ofereceu duas opções: uma malha com a cor verde e a outra com a cor vermelha. Escolhi a segunda. Já no Bar Barbitúrico, a primeira birita chegou pelas mãos do garçom, junto com dois copos de vidro - antes de chegar peguei o Aeroporto na Estação da Lapa e desci ali no ponto em frente ao Bondcanto. Nas paredes dos bares, as campanhas petistas se mantiveram desde a eleição de Wagner. Me lembrei de imediato dos comentários dos amigos soteropolitanos, que versaram o clássico verso " eu eu eu, ACM se fudeu!" na noite do dia 1º de outubro. Aquele lugar devia ser tombado! O bar foi enchendo. Conversa vai, conversa vem, estamos todos à espera de alguém. Alguém pra te consolar, pra te foder, pra te elogiar, pra te abraçar, pra te cumprimentar, ou, simplesmente, pra te espionar do outro lado da mesa. Nenhuma das respostas anteriores vem ao caso, porque eu não estava com hora marcada. Quem chegou foi Lari - após eu ter ligado, perguntando cadê o povo? - às pressas, eu fui o único que não tinha recebido o torpedo dela notificando sobre o cancelamento do encontro com a nossa sociedade secreta. Ontem um cego de um olho me pediu alguma contribuição e nem esperei o término do seu discurso... . Tirei do bolso uns trinta centavos que eu tinha e ele partiu. Peguei meu Nokia - antes eu havia passado na banca de revista, em frenta ao acarajé da Regina, pra fazer uma recarga demorada de vinte reais - e fiz umas ligações. Bom, mas isso não importa. O que de fato importa é o momento em que voltei ao reduto do acarajé da Dinha - isso depois de ter recarregado meu celular. Comprei dois LAs, do verde (eu não sou partidário do Fernando Gabeira) . A garota, segurando um caixote, estava vendedndo a unidade por cinquenta centavos. Perguntei se fazia dois por oitenta centavos e ela, não! Beleza, comprei os dois por um real. Enquanto fumava o primeiro, à espera de Lari, o outro estava ali, sobre a mesa da Skol, esperando ser tragado . Passou um vento forte e o cigarro caiu no chão. Peguei-o e voltei a por na mesa. Bebi três goles e o diabo do tabaco caiu novamente. Pus na orelha esquerda mas achei aquilo coisa de cachaceiro. Ele voltou pra mesa. Sem querer acabei molhando parte do cigarro com algumas gotas de água do porta-cerveja. Lari me disse quando estávamos prestes a sair do bar: é um sinal! Mas antes dele cair, eu tinha feito de tudo pro vento não cortar o meu barato. Coloquei no copo vazio - Lari não bebeu, disse que preferia sabores doces a amargos - e mesmo assim o copo rolou sobre a mesa e o meu reflexo fez com que eu o segurasse a tempo. Massa!, ele não quebrou, mas mesmo assim ele cuspiu o cigarro, indo de novo pro chão. Peguei novamente o LA e ele já estava sujo, daí pensei que ratos grandes passeavam por ali no horário da madrugada e disse pra mim mesmo: não Eduardo, você não vai fumar esse cigarro, dê pro santo! E eu não dei pro santo, torei o LA ao meio e joguei ali mesmo, no chão!
2 comments:
Vc é contra ACM, mas se revelou tão malvado qto! P q não deu o ciagarrinho p/ o santo, meu velho? kkkkkkk
Duzinho Malvadeza! kkkk Já pensou?
besos
hahahaha.
esse comentário de Paula tá ótemo.
mas é.. com certeza era um sinal ó.
era só perceber... e um sinal insistente!
gostei do texto.. agora ficou faltando a segunda parte com as "filofadas" de perfumes e novelas no QG de Márcia.
beijo, Edu!
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