Buscar alguém, é preciso? Ficar, é preciso? E calar para não sentir, é preciso? Qualquer um, nos dias de hoje, já pode prever o futuro das próximas décadas, deixando qualquer Thiago Fragoso num intensivão de paranormais de um filme B: o Orkut já está se tornando o simulacro da história humana na Terra. Queremos ser famosos porque queremos ser amados, ainda que por cadastro de reservas de convites virtuais que rolam por aí. Querido, amigo, estimado. Onde foram parar as praças de nossos avós, os carros de pipoca, os jardins, os bancos de cimento -onde o cheiro no cangote e uma passada de mão no colo da mocinha eram poeticamente lindos e sinceros? Agora o momento é curtir o momento, tomar umas, e não importa se eu não te amo, o que eu quero é te experimentar sem saber a sua idade, o seu gênero, os seus conflitos e os seus problemas. Doeu? Ah, ligue o foda-se e seja feliz, amanhã eu desenterro um grande amor no Orkut, e se um dia você der as caras com o mouse, entra lá na minha comunidade, te dou um "oi"; afinal, a foto será a de sempre, sorrindo, ainda que o meu tédio não seja visto refletido na tela do seu monitor. A anarquia do novo século é o tribalismo, ainda que seja fake, que seja pop. E se o ego ficou dodói, um abraço, você acaba de ser deletado! Todas as possibilidades de ter a Julia Roberts na sua cama estão por um click. Se na hora H o corpo dela chegar antes da cara -mesmo você tendo lido o perfil da sujeita no "iogurte" - não faz mal. Trepe assim mesmo e coloque umas almofadas na cara dela imaginando a... Pretty Woman. É, tá dominado, tá tudo dominado!
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