Finalmente consegui deixar Caliban pronto pro dia 12. Harildo, mais uma vez, soube conduzir brilhantemente a minha interpretação: " humaniza mais, tira os excessos. A simpatia do espectador com ele é porque ele é uma figura que, apesar da aparência monstruosa, se aproxima do humano. Não faz chimpanzé, não faz movimentos rápidos. Foque no andar, ele é ' uníssono', e não quebrado!". Fui absorvendo a energia de um Caliban intimista, que chora e suspira. " Menos é mais, Eduardo". E o "menos" foi atingido. O nosso Zé do Burro é Caliban! Calibans duram pouco tempo diante da eterna maldade. Somos todos Sicoraxes, temos falsas educações, falsos votos e falsas sinceridades. Existe algo mais poderoso do que as segundas intenções? Coitado nessa vida de quem se aventurar por entre ilhas desconhecidas e bondades pseudas. Não, não acho que todas as pessoas sejam perversas, ainda que muitas relações hoje em dias sejam pautadas em interesses de todos os tipos. Shakespeare nos delegou um texto de compaixão, A Tempestade é a mais pura compaixão; Próspero que o diga. E Caliban? Ele só acredita nos seres da floresta, tudo além dela é fruto do pensamento usurpador de seus exploradores/colonizadores. Não é à toa que os mais profundos instintos nascem a partir do vinho, e os Egunguns fazem a festa. Caliban é a vontade de cada um ser etéreo, mas a ganância sempre acaba pesando pro lado mais vulnerável da personalidade.
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