Tuesday, January 30, 2007

Rehearsal - 3ª parte



Ontem Frank me chamou a atenção sobre a voz do Bogus: "está muito linear, muito 'carrancuda', muito bufão. Tente impor essa intenção quando for uma quebra, um momento forte de dizer e/ou lembrar de algo, daí sim esse peso exagerado será bem vindo(...)"; ou seja, a epifania. Tinha comentado com Couto sobre o meu receio de dar um ar (unicamente) expressionista à personagem, não queria simplesmente xerocar o Moe dos Três Patetas. Todas as marcações de palco que recebi da direção atribuí também às respirações no texto. A voz que construi é uma anulação total da minha voz natural. Os exercícios de pulo de corda em fileira e boxe têm me ajudado a sentir menos o desconforto de pesar ombros e mãos. PReciso estar atento às variações sugeridas por Frank...eu sabia que algo na personagem estava me incomodando; e quando falo da voz não é que ela esteja "saindo" forçada, inventada. Não! Ela vem do peso bolachão do Bogus, vem natural. O meu erro é estar - não queria usar este termo porque acho pavoroso - esbravejando demais em todos os momentos. Vou pensar como um avarento fala calmo, mesmo tendo em sua essência a impaciência, a tolerância zero... . Bogus precisa de tridimensionalidade, precisa "ser lido" não por vários (ainda nem cheguei a isso!), mas por no mínimo dois ângulos: o da serenidade-avarenta e o da hiperatividade-avarenta. Não é fácil, não está, e eu sempre soube que o impossível é uma palavra que nunca levaria pra casa.
PS: Na foto, Yoshi, eu e Ana Paula " véia".

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