Saturday, February 24, 2007

Where`s Olive?










Depois de uma maratona de filmes assistidos em casa e nos cinemas, tenho total convicção de que teatro - pelo menos aquele que se tem feito na galáxia de onde venho, não tão distante - não é a minha estação final. Digo e repito que poucas coisas que vi me emocionaram em Salvador. Tem muito artista pra pouco ator e muita propaganda individual de vem-me-ver- que-estou-em-cartaz pra pouca peça. É evidente: quando paro num bar pra tomar uma cerveja, num hall de shopping ou na estação rodoviária; o poder e carisma que o áudio-visual proporciona às solidões alheias é enorme. Botar tudo num saco pra dar um flush away é, no mínimo, uma atitude equivocada.

Existe muita postura academicista e intelectualóide em torno da televisão e do cinema brasileiro. Concordo que o que se tem visto pela Globo Filmes ultimamente (principalmente após O Auto da Compadecida) são tentativas frustradas de reproduzir fórmulas de carisma frente ao público televisivo, haja vista o fraco A Grande Família - O Filme. Não adianta, cinema é cinema e tevê é tevê. Não dá pra querer puxar o cordão umbilical de uma e emendar na outra. Cinema é matemática, não dá pra atirar pra todos os lados; não dá pra fazer certas experiências sem maturidade profissional. Ousar no primeiro degrau da escada é como ganhar na loteria, poucos acertam.

Fico triste quando a vaidade do meio artístico vence o talento, quando o sucesso vem antes do profissional. Trabalho numa área em que a imagem - entenda-se como atributos cênicos, não somente estéticos - é um item que tem sido confundido com protuberâncias calipígias. Alguns solilóquios de atores de novelas soam artificiais - bem como os exageros interpretativos de vilões e mocinhos unidimensionais - mas são necesários pra que o público caseiro compreenda o conflito da personagem . Já no cinema o olho da câmera ou um off discreto revelam a sua psiquê. A competição é injusta, porque a grande maioria que põe o olho num filme, num documentário, já vem com a referência Global.

Nas locadoras o lamentável fato se repete: uma senhora entra e pergunta qual é o " filme novo" que tem pra assistir. Vivemos numa época em que os mais velhos (pessoas comuns e atores de teatro/cinema/tv) têm se juntado às teias de um quartinho abandonado no fundo da casa ou a um Casa Blanca. É pavorosa a década suicida que estamos legando aos nossos sucessores, para nossa família. Nessas horas, tenho vontade de deixar minha barriga crescer ainda mais; de deixar minhas espinhas aumentarem pelos braços e costas; de me deixar esquecido junto a pedras ou troncos de árvores; apenas observando.

Até que ponto vale à pena conseguir "contatos" para subir na carreira? Certa vez me chamaram a atenção para isso. Só que eu ando tão insatisfeito... . Qualquer um hoje pode ser ator; qualquer peça encenada na cidade é fenomenal; qualquer um pode dar aula. Não estou preocupado com a velocidade do vagão no qual me encontro, mas sim com sua qualidade. Essa sim, sempre virá em primeiro lugar, mesmo que eu permaneça em monólogos com meus personagens e pessoas imaginários. Que saudade da essência da Olive, vou comprar o DVD!

PS:1) Abigail Breslin é simplesmente a cara da minha irmã quando era pequena. Postarei a foto
dela, em breve.
2) Hoje faz exatamente um mês que entrei no número 27.
3) Dica de site: http://www.midomi.com/ - você que não lembra do título de uma música mas sabe cantar um trechinho dela. É só cantar esse trechinho que o site encontra fácil. * É necessário, claro, ter microfone.

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