Ontem eu loquei Anjos do Sol e fiquei impressionado como a prostituição infantil ainda é vista com naturalidade no País. Dirigido por Rudi Lagemann, acompanhamos o percurso de Maria que, junto com outras " remessas", são deportadas pela própria família para o Norte do Brasil. Apesar de haver uma mistura de naturalidade com frases inverossímeis - de alguns personagens - escritas no roteiro; temos um angustiante filme, tocante; que, infelizmente, não possui uma plasticidade suficiente para se tornar um blockbuster nacional. Antônio Calloni está assustador no papel do Saraiva, a cena de estupro de Maria - claro, sempre com cenas subentendidas do ato - é revoltante (principalmente a cena em que o personagem de Otávio Augusto leva o filho pra perder o cabaço num galpão).
Fico imaginando essa realidade enrustida aqui pelos centros de Salvador. O que deve ter de menina ainda criança, sem conhecer o próprio corpo, condicionada pela terra do carnaval, "da alegria"... . Ontem me disseram que 2007 foi o carnaval mais violento da cidade; que teve um casal de Brasília (turistas) que numa discussão dentro de um apartamento da Avenida Sete, jogaram, ou melhor, a mulher jogou um banco pela janela ( ! ), que caiu na cabeça de um homem que foi parar na UTI. Temos muitas " crianças" neste mundo; muita gente que se contenta com a medíocre realidade que as cercam. É revoltante saber que "continuamos como nossos pais". Os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos e parece que todos aqueles répteis eram muito mais evoluídos do que nós.
É preciso coragem pra dizer certas coisas, porque o mal deste novo - se é que há algo de novo - milênio é o câncer. Tem tanta gente morrendo desta doença hedionda, porque o silêncio saiu das bibliotecas e dos corredores de hospitais. O silêncio deixou de ser questão de educação pra virar repressão, paralisia, estado de óbito. Não podemos mais nos comportar usando nossas idades como desculpa. As crianças têm que aprender, não de uma forma crua, seca; mas tudo o que elas perguntarem deve ser respondido com verdade. Não dá mais pra morder a maçã depois de grande, porque assim as coisas se repetem, o sonho estagna. O grande trunfo de fazer valer o sonho é a capacidade de transformar os nossos comportamentos automáticos. Por ironia da evolução humana, ficamos robotizados e o que mais fazemos é reagir a estímulos externos.
Fico imaginando essa realidade enrustida aqui pelos centros de Salvador. O que deve ter de menina ainda criança, sem conhecer o próprio corpo, condicionada pela terra do carnaval, "da alegria"... . Ontem me disseram que 2007 foi o carnaval mais violento da cidade; que teve um casal de Brasília (turistas) que numa discussão dentro de um apartamento da Avenida Sete, jogaram, ou melhor, a mulher jogou um banco pela janela ( ! ), que caiu na cabeça de um homem que foi parar na UTI. Temos muitas " crianças" neste mundo; muita gente que se contenta com a medíocre realidade que as cercam. É revoltante saber que "continuamos como nossos pais". Os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos e parece que todos aqueles répteis eram muito mais evoluídos do que nós.
É preciso coragem pra dizer certas coisas, porque o mal deste novo - se é que há algo de novo - milênio é o câncer. Tem tanta gente morrendo desta doença hedionda, porque o silêncio saiu das bibliotecas e dos corredores de hospitais. O silêncio deixou de ser questão de educação pra virar repressão, paralisia, estado de óbito. Não podemos mais nos comportar usando nossas idades como desculpa. As crianças têm que aprender, não de uma forma crua, seca; mas tudo o que elas perguntarem deve ser respondido com verdade. Não dá mais pra morder a maçã depois de grande, porque assim as coisas se repetem, o sonho estagna. O grande trunfo de fazer valer o sonho é a capacidade de transformar os nossos comportamentos automáticos. Por ironia da evolução humana, ficamos robotizados e o que mais fazemos é reagir a estímulos externos.
1 comment:
Sempre estarei sem palavras perante quem sabe usa-las tão bem, consigo "ver" teu sentimento em cada frase escrita, é um presente ler o que vc escreve, pois algumas coisas se asemelham a mim e que pela incapaciade(momentania espero) de poder dizer tão bem o que vejo/sinto, só um brado soa bem. VIVA!!!!!!!
Parabéns.
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