Saturday, April 28, 2007

Por que tudo é nada demais?

Acordei e percebi que minha ignorância intelectual era um conforto, uma segurança, um alívio de tranquilidade para o meu desconhecimento da Matrix. Aquele filme que assisti numa sala do Cinemark, em Aracaju, lá em 1999, na última poltrona gelada pelo ar-condicionado - lembro que já estava saindo de cartaz e eu ali, quase sozinho, azedo de fome - me despertava a consciência sobre o mundo, as pessoas, as mentiras... .
Não tenho conseguido ter mais aquela paciência literária de antes, de entrar aqui, de vir postar algo interessante pra virar poeminha, soneto, crônica, rabiscos de parede. Eu tô vomitando cada vez mais agora pra não dar cria à bicho ruim no meu organismo amanhã. Eu tô muito, muito debilitado com a minha reação diante do que tem me cercado. E tenho estado preocupado, porque não se trata de uma decepção abstrata ( do tipo ah!, hoje eu tô mal, vou ver um pôr do solzinho, assistir um filme, tomar um choppe, trepar e esquecer o vazio). É uma decepção com o acaso, com o meu desinteresse cada vez maior pelo ser humano, pelas conversas, pelas comparações, pelas escalas de valores, pelas "amizades -LOST" (neste seriado todos são suspeitos de fazer parte de alguma megaloma conspiração).
Tenho sentido uma saudade enorme do que não tive, da minha infância; e, ao mesmo tempo ,uma tranquilidade ainda maior de saber que mais um ciclo vai se fechar - ainda que esta frase soe tola e "cristã". Vou poder optar entre cortar vínculos verdadeiros e permanecer alado aos olhos gordos, aos espíritos sem caráter que ainda me cercam. E meu medo é que a verdade esteja disfarçada de vírus. Preciso acreditar num belo dia nascido, em que a minha torre se encontre com outra peça, que se encaixem os vazios... .Não tô conseguindo mais respirar uma vírgula que seja... . Tô qualquer coisa, tô sem força de acordar e cumprir os horários da tabuada acadêmica, dos ensaios técnicos, da insensibilidade dos discursos do "oi!", do "bom dia!", do "já fudeu?", do " já pegou?", enfim, das cobranças... . Tô sem paciência até de mandar o leitor anônimo pra puta que pariu. Tô verde, tô musgo, tô criptonita. Queria muito ser a frieza crua em pessoa, ser um racionalista convicto, mas não consigo. Sempre que os dias passam me pego reagindo a estímulos. Tenho sentido raiva dos meus olhos infantis, da minha " cara do nunca", que não cresce, nunca... . E os pontinhos não estão cínicos agora , mas sim asmáticos...

Esse feriado chegou em ponto de bala pra mim. Tava precisando Dela.

PS: Este é o post mais medíocre que já publiquei. Ele não avança e nem recua. Tá estático.

1 comment:

Paula Zilá said...

puta q o pariu!
vai ser isso sempre?
na mesma.
na mesma merda.
temos q ir embora,
ao menos é uma ilusão.
ao menos mais uma
...
( não cínicos, talvez
desesperados)