Monday, May 14, 2007

Cada qual um dia

Segunda-feira de uma nova semana. Hoje não tivemos ensaio de "Navalha" porque novamente Luis se atrapalhou com a definição dos dias e horários de ensaio. Acabamos ficando eu, ele e Eliana discutindo sobre um monte de temas no pátio da Escola: o comportamento dos policiais, o uso da camisinha, a Igreja. Ontem assisti A Pedra do Reino, de Antunes Filho. Um bom espetáculo, com alguns incômodos (luz, palco nu, ritmo). Sábado foi o dia em que assisti - pra mim não foi nenhuma surpresa o último capítulo, pois já havia visto no Youtube - o fim de " A Sete Palmos".
Amanhã, terça-feira, é o dia da orientação acadêmica. Que alívio saber que poucas disciplinas entrarão na minha grade. Aos poucos eu vou respirando fundo, tentando me recompor da monotonia beckettiana. Sinto alguns estalos de ronco no meu estômago, sinto fome de café da manhã. Acordei rápido, sinti o cheiro do perfume doce exalado da funcionária-pública no corredor do edifício e, sem me persignar, agradeci ao azul do céu por mais um dia sem chuva. Deixei a janela aberta pro ar entrar.
Agora tenho que ir, tenho que comprar revistas na banca, ler minhas tragédias gregas, ler os mitos e roteiros para banir a mediocridade das palavras comuns. Preciso pensar algo de útil para a vida não me acordar com sono de travesseiro de caixão. O sono vai esvaindo-se aos poucos com a pornografia energética dos olhares embaixo dos óculos escuros. Eu te olho, tu me olhas, nós nus olhamos. Sexo filosófico, grandes lábios, chá verde da Natura. Pra tudo tem um gosto, pra alguns tem um consolo, pro virtual tem um infinito que fica. Eu quero ser filmado pra ficar imortalizado em algum canal de sua sintonia.

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