Saturday, May 19, 2007

Mais destroços


Quanta besteira tenho escrito e dito ultimamente. Coisas sem nexo, coisas inúteis. Esses últimos cinco anos morando sozinho têm sido, sem dúvida, uma das maiores provações que já passei em toda a minha vida. Sem grana, sem amigos físicos, sem um amor fixo (e sem passageiro também), sem pessoas de confiança com quem contar, sem família. Será que vale mesmo a pena passar por tudo isso em nome de uma qualificação profissional? Afinal, hoje, o que é ter uma profissão? É trabalhar pra colher grana, comprar um carro, sair à noite e conhecer gente nova? É ser ator? É estar correndo atrás de testes, de agências, de audições; como putas em busca de um cliente legal? O que é ser estudante de teatro hoje na Bahia? É vender pãezinhos naturebas a dois reais, usar roupas alternativas e ser descolado? A cada instante, a cada segundo, sinto uma inutilidade enorme nos meus dias, uma vontade de querer entender a real circunstância que me fez estar aqui hoje neste blog.
Há muito tempo que venho tentando encarar a vida como ela é, como uma realidade pronta que não pode ser modificada; como uma existência plena que precisa ser interagida da maneira mais "confortável". Tá difícil estar assim, parado, cansado, reagindo a estímulos. Não aguento mais a minha companhia, o meu a sós, a minha mesa branca de plástico, a varanda do meu apartamento, a minha caricatura de Hamlet no quarto. Não aguento mais fingir que não está acontecendo nada, que tá tudo bacana, que tá tranquila a vida de "artista".
Eu preciso buscar o meu caminho próprio, sem a interferência aristotélicas, de profetas, de conselheiros e opinadores. Hoje de manhã vou sair sem saber pra onde, talvez à praia, talvez a uma praça; porque é foda acordar de pau duro, olhar pro lado da cama e não ter onde meter. Como eu queria que o automatismo dos encontros e desencontros fosse quebrado. Não aguento mais ouvir ironias da boca de pessoas egoístas que sentam-se ao meu lado pra contar seus causos , só porque estão passando pela curva da felicidade de uma estrutura dramática. Mas logo vem outro ataque, e mais outro, até fazer cai-la na real sobre o fim de seu estado.
Não tenho medo de dizer que como um herói estou pagando uma desmedida. Tô cheio de choros internos que vêm sem uma razão didática-explicativa pra justificar a pergunta " você tá bem?". Às vezes vêm durante o sono, ou durante uma cena de um filme, ou durante uma palavra que ouço e me remete a um vazio branco gelo. Nunca estive sentindo a vida tão a sete palmos como agora.

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