É, 2008 vai começar avassalador. Irei apresentar Édipo, de Sófocles, no Teatro da Câmara dos Vereadores de Salvador. Apesar da minha visão crítica quanto ao projeto - e tudo na vida, o que acaba por me tornar um cara chato (ou um chatô cara) com aquela frieza gélida de inglês europeu - e do caráter empregatício do cargo; valeu muito a pena as reuniões vespertinas na Fundação Cultural. Nel é um cara de generosidade absurda, e apesar (como todo processo de montagem) das saídas de alguns atores, uma energia foi construída graças ao aprendizado vivo da história do mito: filosofamos, conversamos, enxergamos as nuances da tragédia no dia-a-dia dos amigos, de nós mesmos, na vida; tudo isso realmente traz resultados bastante revigorosos para encarar o funcionamento da sociedade.Não quero entrar no bordão - como muitos artistas fazem - de criticar o mundo capitalista, a predominância do capital sobre o espiritual. Tudo isso é blá blá blá de jovem revoltado. Já saí dessa fase. É preciso compreender o mundo como ele é, e não como poderia ser. Sou a favor da filosofia prática, como nos mostra o "clichoso documentário" de auto-ajuda, O Segredo, que apesar de falar de uma coisa óbvia (o foco, o objeto de desejo, o poder da mente...), poucos de nós a põe em prática; porque o mercado sentimental-social em que vivemos faz com que tenhamos uma coisa hoje e, em poucos dias, desfazemos logo por uma outra de coração maior.
Acho que aprender a lidar com esses mecanismos (agora que a China está despontando como a maior economia mundial e a gente, no pacote do Bric, também estamos aí pra despontar como grandes fortalezas, a não ser que apareçam governos que desacelerem tal crescimento) é o que importa para que vivamos de maneira mais feliz, sem ter a felicidade como destino, mas sempre como meio. Se para alguns o capitalismo é uma peste pesada (como a Grécia amaldiçoada), vamos saber conviver com ela. Nem toda alegria é plena e nem toda depressão é suicida. Pra quê/por que fazer frente ao Gigante de Cédulas? É aqui que eu volto a defender a criação dos " seus mundos": pedir ao deus a benção pelo natal-raiz, o natal de casa, do aconchego familiar; contemplar uma risada com os sobrinhos; ser infantil, ficando minutos, parado, observando a água cair da fonte... . E por falar em fonte, o presente que dei a mamãe encachou como uma luva no ambiente da casa nova. Tá lindo, parecendo um oráculo dos deuses. O barulhinho que a queda das águas faz é hipnotizante, como os santuários gregos e suas cavernas com fontes termais. O ruído das águas caindo por entre os vasos parecem sussuros espirituais. Sublime sim, surreal não!
Danillo está assistindo o desenho Yu-Gi-Oh GX no canal Nickelodeon, e ouvi um dos personagens dizer:
"Não está se escondendo de mim, e sim de você mesmo! Existe uma incerteza em seus olhos."
É, tudo é Édipo.
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