Será que continuo ou não continuo a falar sobre o que penso ou deixo de pensar? Assisti Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, novo filme do Burton, tendo à frente da telona o seu pupilo, Depp. Não é o melhor filme deste grande ator, e muito menos lhe merecia uma indicação ao Oscar. Personagem sóbrio, carrancudo, de cenho enrijecido e "olhar puxadinho". É uma especialidade encantadora do Johnny Depp. Mas nada de, como posso dizer, desafiador. Felipe, meu parceiro de espetáculo (Édipo Rei) me disse que eu fora o único que não havia gostado de uma peça de formatura do módulo, apresentada no final do ano passado. A minha justificativa era a falta de um súcubo que eu não enxergava naqueles intérpretes, algo que lhes despertasse a libido, daqueles "atores contestadores". Vejo que nas tevês de hoje (e por que não, de sempre?) há mais programas de mesa redonda sobre futebol do que sobre política. E quando alguém quer ser polêmico de mais, acaba sendo verdadeiro de menos. Em tempos de audiência, a carroça querendo chegar na frente dos bois...vamos parar com isso! As pessoas têm de parar de aceitar as suas condições de burras, de passivas; bem como de entendedoras de tudo, de conceitos e fórmulas mágicas que possam substituir as já existentes. Fora alquimistas! Vamos ouvir uma canção do Jobim, da Björk, do underground paulistano, carioca, das favelas, do repente nordestino, do Gonzagão, do Cordel; vamos ver um doc do Coutinho para ver quanta poesia linda pode ser criada com política. Falar de política de maneira política é coisa de nerd, é dasafiar o QI de quem está vendo, assistindo, ouvindo uma mensagem; é como comer ovo frito sem cobertura de manteiga derretida. Então, foi isso que senti ao ver aquele espetáculo. Não estou tirando o mérito dele, estou apenas sendo sincero com o que vi e senti. Desculpe (apesar de não estar usando esta palavra com sentimento de culpa), mas se não botamos pra fora o que sentimos, morremos de constipação. E quanto àquele filme que citei, lembrei da crítica do Pablo Villaça - profissional crítico de cinema que admiro, apesar de falar bobagens de vez em quando - sobre a falta de sentimento do Burton nos filmes. Adorei A Fantástica Fábrica... , Peixe Grande me tocou profundamente e já outros como Edward..., O Mundo de Jack, A Noiva Cadáver e os descartáveis filmes da antiga série Batman são, de fato, estéticos demais. Sweeney Todd - mesmo sem eu ter visto a versão americana para tevê - é um show gótico a parte de vermelho sem cor de sangue, sépias, canções vazias e um Depp ainda aprendendo a cantar (mas sem incomodar). Vou torcer pelo próximo trabalho dele. Todd não é ruim, tive grande surpresa ao constatar que na verdade o filme se tratava de uma estatologia-estética- musicada, com um final nada romântico. Porém, está longe de ser o trabalho de quase perfeição a que Johnny Depp está acostumado a conseguir.Sunday, February 17, 2008
Navalha na palavra!
Será que continuo ou não continuo a falar sobre o que penso ou deixo de pensar? Assisti Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, novo filme do Burton, tendo à frente da telona o seu pupilo, Depp. Não é o melhor filme deste grande ator, e muito menos lhe merecia uma indicação ao Oscar. Personagem sóbrio, carrancudo, de cenho enrijecido e "olhar puxadinho". É uma especialidade encantadora do Johnny Depp. Mas nada de, como posso dizer, desafiador. Felipe, meu parceiro de espetáculo (Édipo Rei) me disse que eu fora o único que não havia gostado de uma peça de formatura do módulo, apresentada no final do ano passado. A minha justificativa era a falta de um súcubo que eu não enxergava naqueles intérpretes, algo que lhes despertasse a libido, daqueles "atores contestadores". Vejo que nas tevês de hoje (e por que não, de sempre?) há mais programas de mesa redonda sobre futebol do que sobre política. E quando alguém quer ser polêmico de mais, acaba sendo verdadeiro de menos. Em tempos de audiência, a carroça querendo chegar na frente dos bois...vamos parar com isso! As pessoas têm de parar de aceitar as suas condições de burras, de passivas; bem como de entendedoras de tudo, de conceitos e fórmulas mágicas que possam substituir as já existentes. Fora alquimistas! Vamos ouvir uma canção do Jobim, da Björk, do underground paulistano, carioca, das favelas, do repente nordestino, do Gonzagão, do Cordel; vamos ver um doc do Coutinho para ver quanta poesia linda pode ser criada com política. Falar de política de maneira política é coisa de nerd, é dasafiar o QI de quem está vendo, assistindo, ouvindo uma mensagem; é como comer ovo frito sem cobertura de manteiga derretida. Então, foi isso que senti ao ver aquele espetáculo. Não estou tirando o mérito dele, estou apenas sendo sincero com o que vi e senti. Desculpe (apesar de não estar usando esta palavra com sentimento de culpa), mas se não botamos pra fora o que sentimos, morremos de constipação. E quanto àquele filme que citei, lembrei da crítica do Pablo Villaça - profissional crítico de cinema que admiro, apesar de falar bobagens de vez em quando - sobre a falta de sentimento do Burton nos filmes. Adorei A Fantástica Fábrica... , Peixe Grande me tocou profundamente e já outros como Edward..., O Mundo de Jack, A Noiva Cadáver e os descartáveis filmes da antiga série Batman são, de fato, estéticos demais. Sweeney Todd - mesmo sem eu ter visto a versão americana para tevê - é um show gótico a parte de vermelho sem cor de sangue, sépias, canções vazias e um Depp ainda aprendendo a cantar (mas sem incomodar). Vou torcer pelo próximo trabalho dele. Todd não é ruim, tive grande surpresa ao constatar que na verdade o filme se tratava de uma estatologia-estética- musicada, com um final nada romântico. Porém, está longe de ser o trabalho de quase perfeição a que Johnny Depp está acostumado a conseguir.
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