Friday, April 11, 2008

Atores!

Hoje é mais um dia de Édipo. É muito bom poder acordar com o Epifania logo no início do dia, sem o peso da madrugada. Vantagens do minimodem EV-DO!.Estou quase livre. Estou sem compromissos evangélicos com a Igreja Cênica do bairro do Canela, sem aqueles discursos catequéticos; estou sem dinheiro, mas firme e forte para trabalhar, para me reiventar como profissional e ser humano (este, o tempo todo) instintivo, racional, virtuoso... . Estou partindo numa balsa, como diria a canção Wanderlust, da Björk, de ilha em ilha, deixando portos que me apertavam e que continuam a me apertar o estômago. Estou simplesmente me reencontrando como sergipano, como caixeiro-viajante carioca, como aprendiz baiano e como motoqueiro rumo a lugar algum. Não tenho talento para me fixar em pensamentos, comportamentos e teorias. Pode parecer bom, mas é angustiante do ponto de vista do espetáculo da vida. Acho que é por isso que tem tanta gente querendo ser ator, outros são mais diretos e vão logo estudar psicologia e outras filosofias da mente. Parece que quanto mais fujo do ofício de ator, mais ele me persegue. Mas o que me faz também desprezá-lo é a vitimização tão dita e redita aqui neste blog: a síndrome do ator que exige a retalhação da sociedade, o ator que precisa comer, se vestir, comprar pelo menos um perfuminho que substitua os seus incensos de canela. Por que tudo na vida é preciso levantar bandeira? Não poderíamos, simplesmente, trabalhar como ator? Mas não, nós queremos ser atores, incutindo injeções mágicas todos os dias na veia para aliviar o complexo de ego dodói que às vezes sobe à cabeça, em virtude de uma crítica profissional, de uma loucura pessoal, de uma má-resolução sexual (se ator fosse nome de país, o hino nacional seria " olha a cabeleira do zezé, será que ele é, será que ele é....!"; ou ainda melhor, " maria sapatão, sapatão, sapatão, de dia é maria, de noite é ...") de um distúrbio superficial, de um chá de cadeira recebido pela produção de um espetáculo. Ator faz questão de ser diferente, de falar alto, de ser revolucionário e de ser a melhor pessoa do mundo. Ator gosta de se aparecer, mesmo não aparecendo. É difícil viver os dias da vida num século em que se vive quase 24h para os outros. Atores são amigos de atores? Não! Atores são amigos de personagens. Atores são criações de personagens, porque personagens são reais, vivos e mais inteligentes. São raros os atores que inventam personagens. Atores são descartáveis, substitutos, stand-bys, até que venha outro e pise em sua marcação. Só a luz e o figurino continuam os mesmos. Pra que serve um ator? Pra fazer vídeo-book, à espera de um " me ame", " me chame" ou outro imperativo que não vale à pena expor aqui, pois depende da orientação de cada um. Atores são emos.

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