Havia uma garota que se chamava Carol. Carol me chamou a atenção na saída de um espetáculo na Caixa Cultural, ao questionar a minha declaração sobre o desejo de abstinência de carne; logo após o monólogo, pois houve um debate de trinta minutos sobre o espetáculo com o ator de " O Porco", Henrique Schafer. E eu disse para o ator que fiquei com vontade de parar de comer o pernil no Líder e em qualquer outro que fosse o lugar. Isto ocorreu há algumas longas semanas atrás. Carol se parece com a Judie Foster e tem outro tipo de esquizitice. Tentei xavecar a Carol desde aquele dia. Carol chegou a atender o meu pedido e foi assistir Édipo Rei sem me avisar que iria. Carol apareceu sorrateira, nos arredores da Sorveteria Cubana, e me olhava desconfiada. Antes lhe mandei torpedos, telefonei, investi, ela rasgou seda, e acreditei que poderia surgir uma nova possibilidade, um próspero contato entre um homem e uma mulher, entre uma atriz de bonecos e um ator de palco. Carol foi convidada a assistir uma peça de Nelson Rodrigues, e prefiriu, no mesmo dia, a Pia Fraus. Carol escolheu a tragédia no lugar de uma outra tragédia. Após a estréia de Nelson, na Escola de Teatro, e no mesmo dia, da Pia Fraus - ambas em lugares diferentes da cidade - resolvi ir com uma garota chamada Polis ao Líder. Encontrei Suely e uma amiga bicha dela na parte de baixo do restaurante e perguntei-lhes (através de descrições físicas) se não haviam visto uma tal de Judie Carol Foster por ali, aparência de donzela, de princesa de Idade Média, atraentemente fria de pele como uma moribunda tuberculosa de olhos claros (sim, tenho tesão por garotas góticaséuropéias). Ao subir com Polis até o andar de cima do restaurante, eu, já cegueta de vista e com os óculos presos à gola da camisa preta, avistei, ofuscadamente, a moça acompanhada de um rapazilgo abestalhado. Ironicamente cumprimentei Carol, e não cumprimentei o rapazilgo abestalhado. Eu e Polis nos sentamos uma mesa à frente do casal molenga. Carol começou a " selar" o rapazilgo abestalhado. E eu comecei também a fazer o mesmo com a Polis. Pedimos uma Malzebier Antarctica e queijo na chapa. O casalzito foi convidado, alguns instantes depois a se retirar do local. Carol foi embora com um encanto que inventei, com uma possibilidade que pensei ser possível. Se foi, murchou. No último sábado a vi, acompanhado de Dani Rosa Bicha, sozinha, sem o rapazilgo abestalhado. Carol estava toda de preto, fingindo que não me via. Passou por mim duas vezes, e eu também fingi. Fui embora, e ela ficou falando, sozinha, ao celular, na porta da Caixa Cultural. Carol era a cara de um dos bonecos, especificamente uma velha galega da cena de O Mercador de Veneza. O mercador lhe arrancou o nariz. E eu deletei o seu contato do meu celular. Agora, Carol só aparecerá em minha vida por acidente. Deixa estar!Monday, April 07, 2008
Carol, nome que dá inspiração.
Havia uma garota que se chamava Carol. Carol me chamou a atenção na saída de um espetáculo na Caixa Cultural, ao questionar a minha declaração sobre o desejo de abstinência de carne; logo após o monólogo, pois houve um debate de trinta minutos sobre o espetáculo com o ator de " O Porco", Henrique Schafer. E eu disse para o ator que fiquei com vontade de parar de comer o pernil no Líder e em qualquer outro que fosse o lugar. Isto ocorreu há algumas longas semanas atrás. Carol se parece com a Judie Foster e tem outro tipo de esquizitice. Tentei xavecar a Carol desde aquele dia. Carol chegou a atender o meu pedido e foi assistir Édipo Rei sem me avisar que iria. Carol apareceu sorrateira, nos arredores da Sorveteria Cubana, e me olhava desconfiada. Antes lhe mandei torpedos, telefonei, investi, ela rasgou seda, e acreditei que poderia surgir uma nova possibilidade, um próspero contato entre um homem e uma mulher, entre uma atriz de bonecos e um ator de palco. Carol foi convidada a assistir uma peça de Nelson Rodrigues, e prefiriu, no mesmo dia, a Pia Fraus. Carol escolheu a tragédia no lugar de uma outra tragédia. Após a estréia de Nelson, na Escola de Teatro, e no mesmo dia, da Pia Fraus - ambas em lugares diferentes da cidade - resolvi ir com uma garota chamada Polis ao Líder. Encontrei Suely e uma amiga bicha dela na parte de baixo do restaurante e perguntei-lhes (através de descrições físicas) se não haviam visto uma tal de Judie Carol Foster por ali, aparência de donzela, de princesa de Idade Média, atraentemente fria de pele como uma moribunda tuberculosa de olhos claros (sim, tenho tesão por garotas góticaséuropéias). Ao subir com Polis até o andar de cima do restaurante, eu, já cegueta de vista e com os óculos presos à gola da camisa preta, avistei, ofuscadamente, a moça acompanhada de um rapazilgo abestalhado. Ironicamente cumprimentei Carol, e não cumprimentei o rapazilgo abestalhado. Eu e Polis nos sentamos uma mesa à frente do casal molenga. Carol começou a " selar" o rapazilgo abestalhado. E eu comecei também a fazer o mesmo com a Polis. Pedimos uma Malzebier Antarctica e queijo na chapa. O casalzito foi convidado, alguns instantes depois a se retirar do local. Carol foi embora com um encanto que inventei, com uma possibilidade que pensei ser possível. Se foi, murchou. No último sábado a vi, acompanhado de Dani Rosa Bicha, sozinha, sem o rapazilgo abestalhado. Carol estava toda de preto, fingindo que não me via. Passou por mim duas vezes, e eu também fingi. Fui embora, e ela ficou falando, sozinha, ao celular, na porta da Caixa Cultural. Carol era a cara de um dos bonecos, especificamente uma velha galega da cena de O Mercador de Veneza. O mercador lhe arrancou o nariz. E eu deletei o seu contato do meu celular. Agora, Carol só aparecerá em minha vida por acidente. Deixa estar!
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