Thursday, February 02, 2006

2 de fevereiro

Os momentos férteis de isolação estão voltando ao meu convívio diário. E eu detesto me sentir assim, perdido da sintonia das pessoas; com necessidades idiotas, repletas de procuras por algo ou alguém que nunca chega pra ficar. "Os dias que eu me vejo só são os dias que eu me encontro mais, e mesmo assim, eu sei também que existe alguém, pra me libertar". Como diz o trecho da canção Condicional, dos Los Hermanos, é uma exposição da minha alma diante de esperas tolas, que não busco. Estou sem suportar minhas idéias, minhas opiniões e minhas falas formais. Estou virando cobaia a serviço de alguma criação original...? Não sei por que estou escrevendo isso aqui, talvez pra rir de mim mesmo ou das situações com as quais me deparo. Não consigo mais beber água sem pensar na rouquidão que me dá, logo em seguida, depois de tantas frases ditas e malditas, pra ser compreendido. Tô precisando conversar, nem que seja com smiles de papinhos virtuais. Vou comer, cozinhar um cuzcuz com queijo, passar um capuccino. Não quero mais sair daqui, vou ficar em casa, tô assim, sem nada, de nada pra rir ou chorar... .Tô assim, como qualquer coisa.

PS: Hoje vou visitar Yemanjá.


Alcoólicas (trechos) Hilda Hilst

É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A vida é líquida.

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